Horizonte e Singularidade
Nada além do horizonte

A definição moderna de buraco negro – por sinal, o nome buraco negro foi invenção do físico norte-americano John Wheeler (1911-2008), em 1967 – é a de uma região do espaço dotada de intensa gravidade, da qual nada, nem mesmo a luz, consegue escapar. A fronteira imaginária (imaterial) que delimita tal região foi batizada, em 1950, horizonte de eventos pelo físico de origem austríaca Wolfgang Rindler. Se nada escapa de um buraco negro, então um observador de fora do horizonte de eventos não poderia ver o que se passa para além dessa fronteira imaginária, assim como um marinheiro não pode ver além do horizonte – nesse caso, devido à curvatura da Terra.

Ponto denso

Esse intenso puxão gravitacional vem do fato de, no centro do buraco negro, haver uma singularidade, ou seja, um ponto que concentra uma densidade impressionantemente alta de matéria, algo que pode chegar a bilhões de massas solares. Nesse ponto sem dimensões físicas – e não importa quão grande seja a massa do buraco negro –, as leis conhecidas hoje pela física não são mais válidas.

Terra em um ponto

O tamanho do horizonte de eventos é diretamente proporcional à massa da singularidade, que pode variar de poucas massas solares a bilhões delas – estes últimos denominados buracos negros supermassivos. Em princípio, todo corpo com massa teria seu horizonte de eventos se fosse suficientemente compactado. Caso pudéssemos concentrar toda a massa da Terra em um ‘ponto’, teríamos um horizonte de eventos da ordem de ínfimos 9 mm. Já, num buraco negro com bilhões de massas solares, essa cifra iria para a casa dos bilhões de km.

Cama de malabarista

Para entender o que ocorre com a matéria e mesmo a luz que se aproximam de um horizonte de eventos, a analogia mais empregada é a de uma grande cama elástica, como aquelas usadas por malabaristas de circo.

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