Este termo, mais conhecido por cross talk, refere-se à tendência que existe nos movimentos em x e y de terem uma componente espúria do movimento em z, como se mostra na figura 48.

Figura 48: Movimento do scanner com acoplamento cruzado.
Este movimento é bastante complexo e provém de diferentes fontes. Por exemplo, da não uniformidade do campo elétrico ao longo do scanner. O efeito de interferência dos movimentos em diferentes direções não é constante e tem uma expressão tensorial. O maior efeito é geométrico e se produz devido à maneira em que o scanner é construído, em forma tripoide ou tubular.
O movimento em x e y do tubular é produzido quando um dos seus lados se encolhe e o outro se expande. Como resultado disto, o scanner varre em arco e não num plano. A voltagem aplicada para mover um tubo ao longo dos eixos x e y, isto é, paralelo à superfície da amostra, deve fazer que o scanner se estique ou se contraia ao longo do eixo z, isto é, perpendicularmente à amostra, pois é necessário manter a ponteira em contato com a amostra.
Num tripoide, desenhado na forma de três barras perpendiculares, também há cross talk devido a que essas três barras estão coladas juntas, em uma das extremidade do scanner. Quando a barra x se deforma causa uma rotação nas barras y e z.
O acoplamento cruzado num SPM pode resultar em que uma superfície seja vista em forma de bacia, em vez de plana, como mostra a figura 49, para o caso de um degrau.

Figura 49: Efeitos do acoplamento cruzado sobre um degrau.
Para interpretar esta figura, devemos lembrar que uma imagem de SPM é adquirida a partir da voltagem necessária para compensar a curvatura gerada pelo arco do scanner. A forma de bacia pode nem sempre ser muito evidente pois o background curvado pode ser retirado processando a imagem por software. A melhor forma de determinar se o scanner tem cross talk é usar uma amostra com um raio de curvatura conhecido (por exemplo uma lente).
A imagem de um degrau, com todas estas deformações, poderia parecer com a mostrada na figura 50.

Figura 50: Efeitos de histerese, creep e cross talk sobre um degrau.
Tradicionalmente o comportamento não linear dos piezelétricos tem sido contornado usando software. Atualmente existem também soluções por hardware as quais praticamente eliminam os problemas em vez de corrigi-los. O melhor é usar os dois métodos em conjunto.