O espectrômetro de nêutrons, localiza água de maneira indireta, através de átomos de hidrogênio:

A Lua não tem atmosfera, assim vira um alvo desprotegido dos raios cósmicos. Entre eles há prótons vindos do espaço em velocidades altíssimas. Quando os raios cósmicos se chocam com a superfície, tiram pedaços dos átomos das rochas. Entre os pedaços há nêutrons. Alguns nêutrons saltam com grande velocidade e escapam direto para o espaço. Mas há outros que ricocheteiam nos átomos vizinhos: Se o átomo possuir uma massa muito maior o nêutron continuará com a mesma velocidade (como se estivesse quicando numa parede dura). Se o átomo vizinho tiver uma massa igual à do nêutron este perderá velocidade, passando o movimento para o átomo (o mesmo acontece quando uma bola de gude em movimento se choca com uma parada de mesmo tamanho).

Ao sobrevoar os pólos a Lunar Prospector captou muitos nêutrons lentos. Isso significa que eles bateram em algo de peso igual. O que pesa o mesmo de um nêutron? Um próton. E quem tem só um próton? Um átomo de hidrogênio. Mas o hidrogênio não pode estar solto no solo lunar, pois devido a pouca gravidade ele iria facilmente para o espaço. Eles têm que estar associados a outro átomo. Em todo o Universo, a ligação mais comum e estável do hidrogênio é com o oxigênio, formando água. Daí a conclusão: quanto mais nêutrons lentos, maior a quantidade de hidrogênio e, portanto, de água.

[Clique aqui para ver uma imagem do espectrômetro de nêutrons a bordo da Clementine]

[ Volta ]