31 de julho de 2006
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Qualificação profissional é o caminho - 30 e 31/7/2006 Debate sobre o Pólo Petroquímico na Ucam - 30 e 31/7/2006 Faperj abre inscrições para novos editais Pronex e Primeiros Projetos - 28/7/2006 Inscrições na Uenf - 30 e 31/7/2006 Uenf abre 125 vagas para transferências externas e internas - 28/7/2006 Congresso de Literatura na Uerj - 29/7/2006 Uerj sedia congresso internacional de literatura - 30/7/2006 Curso da Uerj resgata história da religião cristã - 28/7/2006 Cetep Barreto oferece 120 vagas em cursos de teatro - 29/7/2006 Prazo para Cientistas do Nosso Estado termina amanhã - 30/7/2006 Resultado do concurso da Faetec sai segunda - 30/7/2006 Vestibular a distância tem segunda reclassificação - 30/7/2006
Homem pode criar resistência ao vírus da Aids - 29/7/2006 Tráfico de fauna e flora rende US$ 11 bilhões - 29/7/2006 Pterossauro é uma espécie "repetida", afirma análise - 31/7/2006 Minivulcões são mistério no Pacífico - 29/7/2006 Brasil reduz contribuição e segue na ISS - 29/7/2006 Setor privado já domina pós-graduação - 31/7/2006 MEC passará a avaliar os cursos tecnológicos - 29/7/2006
Gripe aviária - 31/7/2006 Reinterpretando o Big Bang - 30/7/2006 Cotas para a infância - 31/7/2006 A desigualdade racial nos envergonha - 31/7/2006 |
Cerimônia de lançamento foi celebrada na última segunda-feira, dia 24 de julho, na PUC-Rio, com representantes da comunidade científica fluminense e de instituições de fomento e pesquisa Estão abertas as inscrições para os novos editais Pronex (Programa de Apoio a Núcleos de Excelência) e Primeiros Projetos. Frutos de parceria entre Faperj e CNPq, eles terão um investimento total de R$ 24,7 milhões para projetos de pesquisa. A cerimônia de lançamento foi celebrada na última segunda-feira, dia 24 de julho, na PUC-Rio, com representantes da comunidade científica fluminense e de instituições de fomento e pesquisa. Na ocasião, o diretor-presidente da Fundação, Pedricto Rocha Filho, destacou a importância da união de esforços entre as esferas estadual e federal para a consolidação de uma estrutura nacional de Ciência e Tecnologia. Na abertura da cerimônia, o reitor da PUC-Rio, Padre Jesus Hortal, deu as boas-vindas à platéia e disse que a universidade se sentia honrada com a escolha do local para sediar o evento. Em seguida, passou a palavra ao diretor-presidente da Faperj. “Esses editais, somados ao novo programa Cientistas do Nosso Estado, lançado no início do ano, representam uma continuidade da política de fomento estadual e de um compromisso assumido em conjunto entre o Estado do Rio e o governo federal”, disse Rocha Filho. E acrescentou: “Para o fortalecimento do parque científico e tecnológico do país, é necessária uma ação muito intensa na busca por recursos. Agora, com a avaliação positiva das edições anteriores desses programas, temos argumentos ainda mais concretos para solicitar as verbas necessárias.” O diretor da Fundação salientou que os três editais lançados este ano pela Faperj se complementam. O programa Cientistas do Nosso Estado é dedicado a pesquisadores com carreiras já consagradas, enquanto o Primeiros Projetos contempla os novos talentos da ciência nacional, como forma de renovar a competência científica no estado. Já o programa Pronex, que apóia grupos de pesquisa, visa estimular o trabalho em rede entre pesquisadores fluminenses. O prazo de envio de propostas para os editais lançados em 24 de julho vai até a primeira quinzena de setembro. Para o secretário executivo do MCT, Luis Fernandes, um dos grandes méritos dos editais é garantir que as pesquisas apoiadas não fiquem submetidas a flutuações políticas e mudanças de governo. “Os programas consolidados em conjunto vão permanecer independentes da transição de gestões”, frisou. Também estiveram presentes à mesa de abertura o presidente do CNPq, Erney Camargo; o secretário estadual de CT&I, Wanderley de Souza; o vice-presidente da Academia Brasileira de Ciências, Jacob Palis; e o reitor da Uerj, Nival Nunes de Almeida. Wanderley de Souza e Erney Camargo relembraram o pioneirismo do estado do Rio de Janeiro em políticas de fomento à C&T que aliassem verbas estaduais e federais. “Essa estratégia já virou rotina nos estados. Começou em 2003 pelo Rio de Janeiro, e logo atraiu o interesse de outras agências de fomento estaduais”, disse Wanderley de Souza. “Hoje, as esferas estadual e federal falam a mesma língua em ciência e tecnologia, traçam metas em comum e caminham na mesma direção”, reforçou Camargo.
Inscrições estão abertas até 10 de agosto Conhecer melhor os eventos que se tornaram a base de toda a nossa sociedade, desde a simples contagem dos anos até a formação de conceitos e estruturas sociais. Esse é o objetivo do curso de história da religião cristã – Antiguidade e Idade Média, organizado pelo Proeper (Programa de Estudos e Pesquisa das Religiões) da Uerj, coordenado pela professora Maria Tereza Toríbio. O objetivo é conhecer o nascimento e o desenvolvimento do cristianismo primitivo entre os séculos I e IV d.C., analisando as relações entre o cristianismo e o Império Romano. O curso abordará as transformações pelas quais o cristianismo passou até deixar de ser uma simples superstição e chegar ao estágio de religião oficial do Império Romano. O curso é destinado a todos os interessados que reconhecem a importância do estudo do fenômeno religioso para a melhor compreensão do mundo moderno e da história humana. O curso, que vai de 14 de agosto a 16 de outubro, acontecerá toda segunda-feira, das 14h às 17h. Local de inscrição: Uerj - Rua São Francisco Xavier, 524 – Maracanã. Sala 1.006 – Bloco A, 1º andar, de 10h às 17h. Informações pelo fone (21) 2587-7707 ou e-mail: cepuerj@uerj.br.
A governadora Rosinha Garotinho autorizou hoje a transferência para a Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação do prédio onde funcionava o antigo Fórum de Nova Iguaçu. No local, a secretaria vai instalar, até o fim do ano, mais um pólo regional do Cecierj (Fundação Centro de Ciências e Educação Superior a Distância), onde funcionarão os cursos de graduação da Universidade a Distância e cursos de qualificação de professores e do pré-vestibular social. O secretário de Ciência, Tecnologia e Inovação, Wanderley de Souza, informou que o prédio passará agora por uma reforma. - A instalação do pólo está sendo possível graças à parceria com o secretário de Desenvolvimento da Baixada e da Região Metropolitana, Jorge Gama, que se empenhou para levar para Nova Iguaçu mais um pólo de ensino do Cecierj - disse. O prédio, onde funcionou por mais de 50 anos o antigo Fórum Itabaiana, estava cedido ao Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro e foi devolvido ao estado, uma vez que o Fórum de Nova Iguaçu funciona atualmente em outro prédio. O imóvel devolvido agora ao estado fica na Rua Paulo Fróes Machado, no Centro, e estava desativado havia alguns anos. Atualmente, 12 mil alunos já freqüentam as aulas do ensino de graduação nos 20 pólos e postos regionais da Universidade a Distância instalados em 19 municípios em todo o estado. O consórcio é formado pelas seis universidades públicas instaladas no estado - Uerj, Uenf, UniRio, UFRJ, UFRRJ e UFF - e ministra aulas de graduação nas disciplinas de Licenciatura em Matemática (com diploma da UFF e da Unirio), Licenciatura em Ciências Biológicas (com diplomas da UFRJ e da Uenf), Licenciatura em Física (com diploma da UFRJ), Pedagogia para as séries iniciais do Ensino Fundamental (com diplomas da Uerj e UniRio), Tecnologia em Sistemas de Computação (com diploma da UFF) e Administração (com diploma da UFRRJ).
Pesquisadores interessados em concorrer ao edital Cientistas do Nosso Estado 2006 têm até amanhã para entrega ou postagem das propostas. Lançado em 5 de junho, o programa oferece 300 bolsas com dotação mensal de R$ 2 mil pelo prazo máximo de 24 meses. As bolsas são destinadas a apoiar, através de concorrência, os melhores projetos coordenados por pesquisadores ou tecnólogos de reconhecida liderança na sua área. O proponente terá que fazer a opção por uma das duas categorias em competição: Pesquisador Cientista ou Pesquisador Inovador (Tecnólogo). Em ambas as categorias terão prioridade os projetos que estejam associados ao desenvolvimento econômico e social do estado. Na categoria de Pesquisador Cientista serão elegíveis os candidatos que tenham título de doutor, com produção científica ou tecnológica de alta qualidade, e que tenham vinculação permanente com centros, universidades ou instituições de pesquisa sediados no Estado do Rio de Janeiro. Serão priorizados aqueles que apresentem alto potencial multiplicador através da articulação de capacidade científica de excelência e da participação de jovens pesquisadores e centros emergentes, preferencialmente de instituições sediadas no Estado do Rio de Janeiro. Também merecerão destaque projetos que evidenciem interações multidisciplinares. Para Pesquisador Inovador (Tecnólogo) são elegíveis os detentores de título de graduação ou superior que tenham vinculação com instituições sediadas no Estado do Rio de Janeiro. Eles devem manter atividades de desenvolvimento tecnológico devidamente documentadas através de patentes, modelos de utilidade, normas, protótipos, contratos de transferência de tecnologia ou de serviços tecnológicos com empresas, laudos ou pareceres técnicos e consultorias de cunho tecnológico prestados ou desenvolvidos pelo proponente. Nesta categoria, serão priorizados aqueles que apresentem soluções tecnológicas, de ruptura ou ganho incremental, que possuam protótipos, produtos, processos e/ou aperfeiçoamentos, em fase final de desenvolvimento, com potencial de inserção no mercado e/ou de alta relevância social.
Interessados em cursos na área teatral podem tentar uma das 120 vagas oferecidas pelo Centro Cultural do Centro de Educação Tecnológica e Profissionalizante (Cetep) Barreto, em Niterói, na Região Metropolitana. As inscrições são apenas nesta segunda-feira, das 8h às 17h, sendo necessário cópias da identidade, CPF e comprovante de residência, além de uma foto 3x4 recente. A aula inaugural para todos os cursos será na quinta-feira. São 120 vagas com opções variadas: curso de iniciação teatral para quem tem Ensino Fundamental completo (40 vagas); iniciação teatral para quem tem a 4ª série do Ensino Fundamental concluída e tenha no máximo 17 anos (20 vagas) - ambos com duração de um semestre -; oficinas específicas de história da arte (20 vagas), texto (15 vagas), folclore (20 vagas), teatro/dança (10 vagas) e projetos de montagem teatral (5 vagas). No dia da inscrição, haverá um painel com informações sobre os cursos e os interessados também poderão contar com o esclarecimento dos responsáveis, que estarão no local. O Centro Cultural Cetep Barreto fica na Rua Guimarães Júnior 182, Barreto, em Niterói. Outras informações podem ser obtidas pelo telefone 2628-2850.
A Uenf (Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro), de Campos, no Norte Fluminense, abre dia 22 de agosto o período de inscrições para o preenchimento de 125 vagas em seus cursos de graduação, através de transferências externas e internas e reingresso. O período de inscrições terminará em 22 de setembro. São 30 vagas para agronomia, 10 para ciências biológicas, cinco para engenharia civil, cinco para engenharia metalúrgica, cinco para medicina veterinária e 20 para zootecnia. Na licenciatura, são 30 vagas para o curso de física, 10 para matemática, cinco para química e cinco para biologia. O processo seletivo envolve duas etapas: uma dissertação escrita a ser desenvolvida pelo candidato, mediante escolha de um entre quatro temas da área de conhecimento do curso pleiteado; e entrevista com a comissão coordenadora do curso, onde serão levados em conta, entre outros aspectos, o coeficiente de rendimento do aluno na instituição/curso de origem, conceito/nota em disciplinas consideradas fundamentais pela comissão avaliadora e percentagem de reprovação no curso de origem. Podem se candidatar à transferência externa estudantes oriundos de outras instituições de ensino superior, regularmente matriculados no ano letivo de 2006 em cursos de graduação (inscritos em disciplinas ou com matrícula trancada). Para transferência interna, podem se candidatar estudantes que tenham ingressado na Uenf por vestibular e desejam mudança de curso. Nos dois casos, exige-se que a transferência seja feita entre cursos afins. O reingresso é destinado a ex-alunos que concluíram algum curso de graduação na Uenf ou que tiveram matrícula cancelada antes da conclusão do curso.
De amanhã, segunda-feira, até sexta-feira, a Uerj sediará o X Congresso Internacional da Associação Brasileira de Literatura Comparada (Abralic). O evento contará com a participação de 2.300 professores e pesquisadores do Brasil e do exterior, que vão debater sobre os lugares dos discursos literários e culturais. As atividades estão distribuídas em dez mesas-redondas e 71 simpósios, além do lançamento de 60 livros. Entre os convidados estão Hans Ulrich Gumbrecht (Stanford University, EUA), Ana Pizarro (Universidade Católica do Chile), Eduardo Portella (ABL), Eduardo Coutinho (UFRJ), Ferreira Gullar, Moacyr Scliar, Antônio Torres e Ivan Junqueira. Mais informações no site www.abralic.org.br.
A Universidade do Estado do Rio de Janeiro sedia, de 31 de julho a 4 de agosto, o X Congresso Internacional da Associação Brasileira de Literatura Comparada, com 2.300 pesquisadores do Brasil e do exterior.
O Cederj (Centro de Educação Superior a Distância do Estado do Rio de Janeiro), órgão vinculado à Secretaria de Ciência, tecnologia e Inovação, divulga na terça-feira a segunda reclassificação para o segundo semestre do vestibular a distância. Os aprovados devem fazer matrícula no dia seguinte no pólo ou posto de realização do concurso. A lista com os classificados será publicada no site www.cederj.edu.br. Para a matrícula são necessárias três fotografias 3x4 e original e cópia da carteira de identificação, CPF, histórico, certificado de conclusão de curso de ensino médio, certificado de reservista e título de eleitor. Os candidatos ao curso de Pedagogia para as Séries Iniciais do Ensino Fundamental deverão entregar também fotocópia autenticada em cartório do Diploma de Conclusão de Ensino Médio em Curso de Formação de Professores de 1ª a 4ª série do ensino fundamental. O Cederj é um consórcio formado com as seis universidades públicas - Uenf (Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro), Uerj (Universidade do Estado do Rio de Janeiro), UFF (Universidade Federal Fluminense), UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), UFRRJ (Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro) e UniRio (Universidade do Rio de Janeiro) - instaladas no Estado do Rio. O aluno é regularmente matriculado em uma das universidades, fazendo todo o curso de graduação através do regime semipresencial, com sistema de tutoria por telefone, fax e Internet e atendimento e aulas de laboratório nos pólos regionais também aos sábados. Ao final do curso, recebe diploma de uma das universidades públicas. Mais informações pelo telefone (21) 2568-1226, pelo site ou nos pólos regionais.
A Uenf (Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro), de Campos dos Goytacazes, no Norte Fluminense, abre dia 22 o período de inscrições para o preenchimento de 125 vagas em seus cursos de graduação, por intermédio de transferência externas e internas e reingresso. As vagas, para o 1º semestre de 2007, podem ser preenchidas por mudança interna de curso na Uenf, transferência de outras instituições de ensino superior e reingresso de ex-aluno. O período de inscrições terminará em 22 de setembro.
Um em cada dez brasileiros está desempregado no Brasil, segundo dados levantados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE). Diante desses números, os cursos de capacitação ou profissionalizantes passam a ser importantes alternativas para inclusão dos trabalhadores, favorecendo na aquisição do primeiro emprego, ou até mesmo, abrindo novas perspectivas de trabalho e atendendo a necessidade de aperfeiçoamento. O mercado de trabalho está cada vez mais exigente com a formação do profissional, já que a corrida por uma vaga de emprego está a cada minuto mais competitiva. Desta forma, quem já tem sua vaga, precisa mantê-la e quem ainda não tem, precisa correr atrás do prejuízo.
A formação em técnico em eletrônica, solda "Há algum tempo quando se pensava em mercado de trabalho vinha a mente a pergunta básica 'o que eu faço para conseguir um emprego?', hoje, profissionais de diferentes áreas também se perguntam 'o que eu faço para continuar empregado?', tamanha a concorrência profissional. Nesses casos, os cursos de capacitação são excelentes como motivadores e aperfeiçoadores", explica Sion. Adaptação – A adaptação é outro ponto crucial no quadro profissional atual. Empresas, na tentativa de reduzir seus custos ou otimizar os serviços, realizam fusões de cargos e setores, exigindo de seus funcionários conhecimentos múltiplos. Obadia explica que, em situações como essas, o funcionário precisa apresentar diferentes capacitações para que não se torne obsoleto dentro da empresa. "Mesmo o funcionário já empregado não pode se acomodar em sua atividade, deve se manter atualizado e capacitado a desempenhar diferentes funções dentro do emprego, essa característica já virou requisito para sucesso profissional", destaca o consultor da Catho-RJ. A caixa de supermercado Thamires Almeida, 22 anos, por exemplo, já trabalha na função há dois anos e teve que se reciclar para acompanhar a informatização do estabelecimento. "Nunca tinha nem ligado o computador, aí tive que correr atrás de um curso para conseguir continuar na minha função. Tivemos treinamento, mas o patrão sempre exige rapidez e isso só com aulas", explica. Características – As principais características e atrativos dessa formação é a curta duração dos cursos, assim como o foco prático na atividade, o que permite que, em poucos meses, o aluno esteja tecnicamente formado e com um ofício para exercício imediato. A Superintendente Técnica da Fundação de Apoio à Escola Técnica (Faetec), Mercedes Moreira, explica que os cursos de capacitação podem ser divididos em três grupos: os chamados técnicos, que duram em média um ano e meio; os profissionalizantes com duração média de oito meses e os industriais, que têm duração aproximada de seis meses. "Digamos que os cursos de capacitação com curta duração são comumente procurados por desempregados, pela ausência de um ofício e por profissionais que querem acumular mais de uma função/capacitação. Os cursos mais longos têm como público-alvo esses dois grupo, além de jovens a procura do primeiro emprego", destaca Mercedes. Ela acrescenta que esses cursos priorizam a parte prática, com muitas aulas em laboratório e possibilidades de estágio desde o começo do curso, além de apresentarem boa absorção de mercado. Atualmente, a Faetec oferece 254 cursos de formação rápida, em áreas distintas como: indústria, comércio, serviço, beleza, artes, informática e idiomas. Entre março e abril deste ano, a instituição teve uma média de 149 mil alunos matriculados em cursos de capacitação básica, como idiomas e informática. "A base de trabalhos, seja em uma empresa ou na indústria, são compostas por profissionais que variam desde a formação superior e pós-graduação às formações de base, os tecnicamente capacitados", enfatiza a superintendente. Custo/benefício – Os cursos de capacitação e profissionalização são oferecidos por instituições públicas e privadas em diferentes áreas. O professor do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), Luis Cláudio Barreto destaca que a remuneração média de um profissional que atua no nível básico, varia entre R$ 600 e R$ 800. "Muitos brasileiros recebem apenas um salário mínimo e, muitas vezes, um curso de capacitação ou profissionalização lhes permite uma ocupação um pouco melhor, assim como um salário também maior", destaca Barreto. Para todas as áreas istem capacitações para todos os gostos e necessidades. Os cursos são oferecidos em diferentes áreas que variam desde petróleo e gás, em expansão na região e com grande demanda de profissionais; a atividades com animais; turismo e hotelaria; moda e figurino; design; beleza e estética; solda, elétrica, idiomas, informática, entre outras. Essa diversidade tem atraído cada vez mais alunos, como apontou o último Censo Escolar, realizado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacional Anísio Teixeira (Inep), órgão vinculado ao Ministério da Educação (MEC), que detectou 747.892 matrículas nos cursos profissionalizantes em 2005, contra 589.383, em 2003. O Sudeste concentra o maior número de instituições que oferecem os cursos profissionalizantes, um total de 2.073 unidades de ensino, devidamente reconhecidas pelo MEC. Formação – Na área de ‘Atividades com Animais’, por exemplo, formações básicas como: banho e tosa para pet shop, adestrador básico, vendedor de pet shop e gestão de clínica veterinária, já garantem, a um recém-formado, uma remuneração média de R$ 1 mil. Segundo a gerente do Centro de Atividades com Animais do Senac-Rio, Elizabeth Teixeira, a possibilidade de qualificação nesse segmento não é muito antiga, o que coloca a área ainda em estruturação. O público que busca essas capacitações é bem diversificado, variando desde pessoas que desejam o primeiro emprego a alunos interessados em aprender o ofício para uso pessoal. "A grande vantagem desses cursos é que o aluno sai formado e preparado para ingressar na atividade em qualquer empresa do setor. Isso, em um tempo bastante curto, que varia de três a cinco meses no caso dos níveis básicos, de acordo com a freqüência das aulas", destaca Elizabeth. Ela ainda enfatiza que o grande destaque da área é a formação básica em ‘Auxiliar de Serviços Veterinários’, que possibilita a atuação em clínicas, hospitais e pet shops e tem absorção média de 80% dos que finalizam o curso. "Há uns dez anos, o mercado de animais cresce 12% ao ano e tem grande demanda de profissionais para atuação no segmento, principalmente, dos formados em ‘Auxiliar de Serviços Veterinários’, que é uma capacitação muito requerida por médicos veterinários e que ainda conta com poucos profissionais no mercado", complementa. Emprego – Outra área muito procurada é a de saúde, que embora conte com uma regulamentação rígida, também garante boas oportunidades de emprego tanto em nível particular, como através de concursos. No setor, são muito procuradas as capacitações em auxiliar de enfermagem e técnico em segurança do trabalho. A gerente do Centro de Saúde do Senac, Gisele Couto, destaca que a Organização Internacional do Trabalho (OIT) aponta a área básica de saúde como a segunda que mais absorve profissionais no mundo. "O mercado técnico de saúde está sempre em expansão, com vagas para exercício no Brasil e no exterior. A formação em técnico de enfermagem e segurança do trabalho além de promissora, pode render salários de até R$ 1 mil, no caso de segurança do trabalho, formação absorvida em segmentos como o de petróleo e gás", destaca Gisele. A duração média desses cursos é de 1.200 horas, o que equivale a um ano e quatro meses. As carreiras são estruturadas com equilíbrio entre teoria e prática, com ênfase na aplicação dos conhecimentos nas aulas laboratoriais. No caso dos cursos da área de saúde, que tem uma regulamentação específica, é exigido estar cursando ou ter concluído o Ensino Médio. Como se trata de carreiras que lidam com saúde pública, algumas formações exigem idade superior a 18 anos. As remunerações médias para capacitados como técnicos de enfermagem, por exemplo, são de R$ 600 a R$ 700. Montando um negócio Embora sejam cursos rápidos e práticos, não perdem sua credibilidade e qualidade, sendo comum a utilização desses conhecimentos para abertura de um negócio próprio. A Gerente de Cuidados com os Animais, Elizabeth Teixeira acrescenta que é muito comum o empreendedorismo por parte de seus alunos quando finalizam o curso. "Muitas pessoas terminam a capacitação e abrem seu primeiro e próprio negócio. Como essa área ainda está em organização, ainda deverão ser criadas novas funções, que renderão boas oportunidades", ressalta Elizabeth. Assim como existem áreas em expansão, também têm aquelas que embora tradicionais, sempre necessitam de novos profissionais, como é o caso de Mecânica Geral, Elétrica, Solda, Automação e Metalurgia. Empresas – Segundo o professor do Senai, Luiz Cláudio Barreto, é muito comum o contato de empresas que solicitam ou a capacitação de seu corpo de funcionários de acordo com a necessidade de trabalho, assim como da comunidade de forma geral. "Costumo dizer que esses profissionais são a base da economia nacional, já que, sem eles, a indústria não funcionaria. São áreas que sempre demandam novos formados e não exigem níveis escolares tão elevados para sua execução, geralmente, apenas o fundamental", destaca Barreto. Colocando em prática Para alguns, a capacitação é o começo de tudo e pode funcionar como um degrau, que virá a incentivá-los a novas conquistas, como o ingresso em uma universidade ou a promoção dentro de uma empresa. Já outros, nem tinham perspectivas e a formação e possibilidade de emprego funcionam como o degrau máximo e satisfatório. Para a estudante de Mecânica Geral do Senai, Aline Gomes, 16 anos, por exemplo, a formação técnica, literalmente, é o começo de tudo. Segundo a estudante, a formação básica lhe serve como impulso para que possa atingir seu maior objetivo, que é chegar à universidade. "Arrumar emprego hoje em dia está muito difícil, com a formação técnica tenho a impressão de que está um pouco mais fácil. Vou fazer o percurso inverso, primeiro, quero me formar aqui no Senai, para depois ter dinheiro para pagar a faculdade", enfatiza Aline. Já o Técnico em Eletrônica Básica, formado pela Faetec, Victor Rufino, 20 anos, a capacitação foi a oportunidade que precisava para iniciar em algum trabalho e, ele já faz até planos com o que conquistou, que é montar uma família. "Fui buscar o curso de capacitação pois estava sem emprego e, com a formação em eletrônica, consegui, primeiro, um estágio e agora já estou empregado em uma loja especializada", ressalta. O técnico em eletrônica ainda explica que os cursos de capacitação já são consagrados pelo mercado como sinônimos de qualidade e aplicabilidade. Ofertas de trabalho Muitas ofertas de trabalho à parte, mas nenhuma área barra o período fértil do segmento de petróleo e gás e da indústria naval, com cursos de capacitação que chegam a 100% de absorção de formados, além dos melhores salários para um nível técnico, na faixa de R$ 1 mil. No Senai, por exemplo, só para o setor são confirmadas cerca de oito turmas semestrais, com ênfase em petróleo e gás e segurança do trabalho. Fora essas formações técnicas, cargos básicos de operadores como: solda, automação, eletrônica, entre outros, também são requeridos para atuar em plataformas e estaleiros. "A demanda de profissionais especializados em petróleo e gás vai se dar em diferentes níveis, desde o fundamental ao superior. Essa expansão é percebida na procura pelos cursos da área que crescem a cada semestre. Quem se qualificar vai sair na frente, já que se trata de uma área com conhecimentos diversos, mas muito específicos. Além disso, os que já estão no segmento precisam de requalificações", destaca Luis Cláudio, professor do Senai. A superintendente da Faetec, Mercedes Moreira acrescenta que não só os estudantes, como também as instituições de ensino terão que se enquadrar para fornecer profissionais qualificados no segmento. "O Governo vem incentivando a abertura de novas turmas com ênfase na indústria naval", finaliza.
Nesta segunda-feira, a Fundação de Apoio à Escola Técnica (Faetec) divulga o resultado das provas do concurso de admissão para o ingresso no segundo semestre deste ano, com exceção do resultado do nível pós-médio que só será liberado na terça-feira, junto com a classificação final dos demais níveis. As matrículas dos aprovados no pós-médio serão realizadas nos dias 2, 3 e 4 de agosto, das 9h às 18h, na unidade para qual o estudante foi aprovado. No dia 9 será liberada a primeira lista de reclassificação, com matrículas a serem realizadas nos dias 10 e 11. No dia 15 será divulgada a segunda lista de reclassificados, que deverão efetuar a matrícula no dia 16 de agosto. Já os candidatos aprovados no pós-técnico e nos vestibulares devem, se matricular entre os dias 7 e 9 de agosto, de 9h às 18h, na unidade que estudarão. A lista de reclassificados nos vestibulares será divulgada no dia 14, com matrículas nos dias 15 e 16. A segunda reclassificação sai no dia 21 e as matrículas devem ser efetuadas no dia 22. A primeira reclassificação do pós-técnico sairá dia 11, com matrícula dias 14 e 15 e a segunda, no dia 17, com matrículas no dia 18. Foram oferecidas 2.510 vagas, sendo 1.440 para o nível pós-médio; 680 para o vestibular dos Institutos Superiores de Educação e de Tecnologia; 360 para a Uezo e 60 para o pós-técnico em Enfermagem do Trabalho.
O Pólo de Ensino Tecnológico Candido Mendes promove, no dia 14 de agosto, às 19 horas, a mesa-redonda "Pólo Petroquímico de Itaboraí: aspectos econômicos, jurídicos e sociais", com a participação do secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Vitor Júnior, e de pesquisadores da Coppe/UFRJ, UFF, Uenf, Unirio, Ucam e do Programa ANP-Uerj. As inscrições já estão abertas e podem ser feitas até o dia 11 de agosto, no campus Niterói da Universidade Candido Mendes, localizada na Rua Luiz Leopoldo Fernandes Pinheiro 517/3º andar), mediante o pagamento de taxa de R$ 10. O número de vagas é limitado – 120. O evento é voltado para alunos do 3º ano do ensino médio e para universitários de todas as áreas, com ênfase em Engenharia de Produção, Direito, Administração, Economia, Marketing, Ciências Contábeis. A mesa-redonda irá abordar a implantação do Pólo Petroquímico da Petrobras nos municípios de Itaboraí e São Gonçalo, discutindo suas conseqüências para toda a Região Metropolitana do Estado do Rio. Os principais tópicos do debate são os riscos ambientais, a relevância econômica, a questão tributária, aspectos jurídicos, inovações tecnológicas e o impacto urbano e social do empreendimento.
Artigo de Magno Maranhão A discussão sobre cotas raciais e/ou sociais em universidades federais transformou-se em queda de braço despertando interesses dos que desejam ser pais da inclusão, como Lula, que assim resumiu a questão: quem é contra as cotas age “por preconceito”. Também acho. Por isso, é incompreensível termos atravessado quatro anos sem que a exclusão tenha sido atacada pela raiz, sem ver assegurado atendimento a partir de zero ano. Afinal, a faixa de zero a cinco concentra o maior percentual de indigentes do País, e nem a quarta parte está n escola ou tem perspectivas de um dia, ingressar no Ensino Superior. A educação infantil é responsabilidade dos municípios. A esfera federal crê que fez sua parte criando o Fundeb. Mas é justo que crianças dependam da arrecadação municipal, quando 2 mil municípios seque têm arrecadação? Se o governo federal não se encarregar da educação infantil, a igualdade de oportunidades ficará no discurso, já que quem vai cedo à escola costuma se sair melhor na vida. O déficit do serviço, porém, é gritante: em 2004, 3 milhões de crianças de 4 a 6 anos não estiveram em pré-escolas e, dos 11,5 milhões até três anos, só 1,5 milhão esteve em creches. Outro dado preocupante: para pais e professores, bom estabelecimentos são os que oferecem alimento e cuidados básicos. Aspectos pedagógicos pouco são considerados. A conclusão, de pesquisa da Fundação Carlos Chagas, não poderia ser outra neste País, onde uma entre cinco pessoas precisa de recursos de programas sociais para viver. A educação infantil aqui se relaciona à sobrvivência, e ainda não reservamos vagas para isso. Magno Maranhão é membro do Conselho Estadual de Educação do Rio de Janeiro.
Luiz Pinguelli Rosa , fundador da Coppe-UFRJ, concorre com o livro “Tecnociências e humanidades” ao Prêmio Jabuti.
Ao mesmo tempo que se anunciam na Inglaterra resultados preliminares promissores de uma vacina contra o vírus H5N1, da gripe aviária, a Tailândia informa ter ocorrido em seu território a 15 morte causada pela doença. A vacina, mesmo que tenha sua eficácia comprovada, ainda vai demorar muito para se tornar disponível — tanto que o laboratório fabricante evita anunciar prazos. Em contraposição, é assustadora a rapidez com que a infecção se difunde. O continente americano, por ora, parece não ter sido atingido; mas a gripe já alcançou a Ásia, a Europa e a África; e na Indonésia, aliás, já apresentou a temida mutação que tornaria o vírus transmissível entre seres humanos. Temia-se que começasse ali a pandemia, mas esse vírus mutante morreu, segundo a Organização Mundial de Saúde. Um golpe de sorte, mais do que resultado de alguma feliz estratégia de contenção da doença. Hoje está claro que o risco é muito alto e que nenhum país deve confiar que estará imune. Tanto que países onde nenhum caso se constatou já estão tomando medidas severas — caso da Escócia, por exemplo, que armou um esquema de círculos concêntricos para isolamento de focos. Assim como nações gravemente afetadas, como o Vietnã, recorreram a uma política radical e muito bem sucedida de abate de aves. A Alemanha usou até tropas do Exército para abater cisnes infectados. O Brasil precisa ficar alerta e evitar que, além do elogiável controle já instalado em aeroportos, as demais medidas se resumam ao planejamento burocrático, a palestras e cursos para funcionários do Ministério da Saúde. Tudo isso é útil e necessário; mas se mostrará insuficiente se a doença chegar aqui. São medidas fáceis, enquanto programas como a monitoração de aves migratórias são muito problemáticos. Mas a dificuldade desse trabalho preventivo e a expectativa do eventual lançamento de uma vacina não podem ser justificativa para a inércia. O que está em jogo é a saúde da população.
Artigo de Agenor Álvares Há dias, a Organização Mundial de Saúde anunciou casos de gripe aviária em uma família da Indonésia. A notícia preocupou, pelo temor de que uma mutação viral leve à transmissão entre pessoas. A OMS afastou o pânico, ao divulgar rapidamente o resultado do exame que atestava que o vírus não sofreu mutação. Esse procedimento, parâmetro para qualquer país se declarar minimamente preparado para o problema, mostrou que a comunicação rápida e transparente é arma para evitar prejuízos à economia e à vida. No Brasil, tomamos todas as medidas preconizadas no mundo. As primeiras medidas foram adotadas em 2003, e foi criado o Grupo Executivo Interministerial (GEI) coordenado pelo Ministério da Saúde. Uma das ações do grupo foi integrar a Sala de Comando e Controle, do Ministério da Defesa, e o Centro de Informações Estratégicas de Vigilância em Saúde (Cievs), do Ministério da Saúde, para a rápida mobilização de todos os recursos disponíveis. O GEI também desenvolveu um Planejamento de Comunicação do governo e trabalha num plano para portos e aeroportos. A entrada de produtos aviários de países infectados é proibida, e a fiscalização, rígida. Seremos o primeiro país em desenvolvimento a fabricar vacinas contra a gripe. Investimos R$ 30 milhões no Instituto Butantã, de São Paulo, para a instalação de uma fábrica do imunizante. Adquirimos 9 milhões de tratamentos do antiviral recomendado pela OMS, qe serão entregues ao governo até o fim do ano. Periodicamente, enviamos especialistas a pontos das rotas de aves migratórias. Uma rede de alerta está instalada desde 2003 em centros de saúde de todo o país. Não nos proclamamos imunes, todos os países sofrerão conseqüências. Mas elas serão minimizadas na medida do esforço prévio. Portanto, contamos com o envolvimento dos meios de comunicação e da sociedade nessa tarefa. Agenor Álvares é ministro da Saúde.
O comércio ilegal de animais e plantas é o terceiro maior negócio ilícito, atrás da venda de drogas e armas Seja massacrando rinocerontes para conseguir seus chifres ou antílopes tibetanos para obter lã, o comércio ilegal de vida silvestre movimenta US$ 11 bilhões ao ano — é o terceiro maior negócio ilícito do mundo, depois do tráfico de drogas e armas. O número foi divulgado num encontro da Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies de Fauna e Flora Silvestre Ameaçadas (Cites, na sigla em inglês), um organismo internacional apoiado por praticamente 200 países que se reuniu esta semana em Pequim. O Cites vem cooperando com a Interpol, fornecendo informações que ajudem a coibir o tráfico. “O comércio ilegal de vida silvestre ameaça à sobrevivência das espécies e leva a danos ecológicos”, apontou o organismo em documento divulgado ao fim do encontro, organizado pela Interpol e pela polícia da China. O tráfico internacional já levou algumas espécies à beira da extinção. Desde 1970, por exemplo, mais de 90% dos rinocerontes selvagens desapareceram em razão do aumento da demanda por seus chifres. O comércio ilegal ameaça muitas outras espécies. A cada ano, milhares de plantas e animais são vendidos ilegalmente. Em média, as populações de diferentes espécies da Terra declinaram em 40% entre 1970 e 2000 — e o comércio de vida selvagem é apontado como a segunda maior ameaça à sobrevivência das espécies, perdendo apenas para a destruição de seu habitat. Animais comercializados ilegalmente são vendidos como alimento mas também como bichos de estimação exóticos. Eles também são caçados para a extração de chifres, dentes, couro, pele, lã. Muitas espécies animais e vegetais servem ainda de base para medicamentos. Sem falar na madeira. Os mais diversos produtos feitos a partir do comércio ilegal podem ser encontrados diariamente em lojas de todo o mundo. No Reino Unido, que tem leis muito severas para impedir o contrabando de espécies silvestres, mais de um milhão de itens foram apreendidos entre 1996 e 2000. ONGs como o WWF e a Traffic pedem que a pena máxima para o comércio ilegal de espécies silvestres no Reino Unido seja elevada de dois para cinco anos. A China prometeu implementar formalmente o acordo da Cites em setembro, o que seria um considerável incentivo aos esforços internacionais de combate ao tráfico, dadas as grandes fronteiras do país.
Um fenômeno ainda inexplicado Um novo tipo de vulcão foi descoberto no Oceano Pacífico, reforçando as teorias sobre a existência de diferentes tipos de vulcanismo. Naoto Hirano, do Instituto de Tecnologia de Tóquio, e sua equipe descobriram minivulcões — os maiores com um quilômetro cúbico — no fundo do mar perto da Fossa do Japão. A existência desses pequenos vulcões submarinos não pode ser explicada por nenhuma teoria convencional sobre vulcanismo. Os cientistas acreditam que os minivulcões foram criados a partir do aparecimento de rachaduras na crosta terrestre. Tais fissuras apareceram quando a placa tectônica do Pacífico começou a afundar sob as fossas das Kurilas e do Japão. Para os cientistas, substâncias parcialmente fundidas provenientes do manto superior da Terra jorraram pelas rachaduras formando os vulcões. — Eu fiquei muito impressionado com a descoberta desse vulcanismo — afirmou Hirano. — A possibilidade já havia sido cogitada no passado, mas nunca havia sido propriamente documentada. Vulcões se formam em três situações: quando placas tectônicas divergem ou convergem e em regiões propensas ao vulcanismo, em que o manto aflora fora das áreas de encontro de placas. Os novos vulcões não se enquadrariam em nenhuma das três categorias, sugerindo a existência de novas formas de vulcanismo. O estudo foi publicado na “Science”.
Artigo de Celso Pitta A sociedade brasileira já amadureceu o suficiente e se conscientizou da necessidade de uma intervenção incisiva A Câmara dos Deputados discute o texto do Estatuto da Igualdade Racial e da Lei de Cotas. Sendo o primeiro homem negro eleito diretamente como prefeito da cidade de São Paulo, reconhecidamente um dos cargos de maior importância da República, sinto-me no dever de externar a minha opinião sobre esses dois assuntos. Parto da constatação inequívoca de que existe neste país uma dívida histórica para com a comunidade negra e indígena. Mas é de notar que, mesmo para os não-chegados a esse tipo de análise, a simples observação do que acontece no nosso cotidiano já é por si só prova cabal de que existe, sim, uma diferença abissal entre os afrodescendentes e a chamada etnia branca em termos de padrão de vida e participação nos diversos segmentos da nossa pirâmide social. Essa é uma situação que foi gerada por séculos e séculos de descaso sistemático para com aqueles que, com o seu trabalho, ajudaram a construir este país. Mais do que isso, a permanência de estereótipos em relação ao negro é alimentada em boa parte pela mídia televisiva, talvez até porque anunciantes e patrocinadores não tenham ainda se dado conta da gravidade do fato -inclusive sob o ponto de vista do marketing, especialmente porque temos 45% de participação de negros e mulatos na nossa população. A questão fundamental, entretanto, é decidir, aqui e agora, o que fazer. Basicamente, há duas alternativas em discussão. A hipótese, embora lógica, significa, na prática, manter o status quo, já que não há dúvidas de que têm sido feito esforços para a melhoria do nosso ensino público. Entretanto, o resultado prático de tal ação só seria sentido no espaço de tempo de duas ou mais gerações, o que complicaria ainda mais a atual situação. O outro caminho a trilhar -e esse me parece o mais sensato- é encarar o problema de frente e estabelecer, em caráter temporário, cotas para afrodescendentes e índios, tanto nas universidades como no mercado de trabalho, conforme prevêem os projetos de lei em tramitação no Congresso Nacional. Sinto-me perfeitamente à vontade em defender essa segunda opção pois o faço desde 1995, quando o então pró-reitor da USP (Universidade de São Paulo), professor Jacques Marcovitch, me convidou para participar dos debates de um grupo de estudos de políticas públicas para a valorização da comunidade negra. Nessa linha, estou estruturando a ONG Pronegro. Mais ainda, embora eu tenha feito curso superior e outros de pós-graduação aqui e no exterior e construído uma carreira profissional numa época em que as ações afirmativas nem sequer eram objeto de discussão nos Estados Unidos, origem de tais políticas, vejo que a sociedade brasileira já amadureceu o suficiente e se conscientizou da necessidade de uma intervenção incisiva para a solução da desigualdade racial que nos envergonha. Celso Pitta, 59, economista, é ex-prefeito da cidade de São Paulo. Foi secretário das Finanças do município de São Paulo (gestão Paulo Maluf).
Número de estudantes em cursos particulares de especialização, mestrado e doutorado é maior do que na rede pública Crescimento se deve à oferta de MBAs e cursos lato sensu pelo setor privado; nos programas stricto sensu, setor público lidera O setor privado, que há muito tempo já era predominante na educação superior, ultrapassou o público em mais um nível de ensino: a pós-graduação. Segundo a Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), do IBGE, já havia em 2004 mais estudantes na rede privada do que na pública nesse nível de ensino. Até 2001, o número de matriculados na rede pública era um pouco superior. Tabulações da Pnad feitas pelo pesquisador Simon Schwartzman, ex-presidente do IBGE e presidente do Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade, mostram que o setor privado de pós-graduação cresceu 30% de 2001 a 2004, enquanto o público variou 8%. Com isso, a participação privada nas matrículas passou de 49,7% do total para 54,4%. Schwartzman explica que esse crescimento no setor privado se dá, principalmente, por causa dos MBAs e das especializações, que são cursos de pós-graduação lato sensu. Diferentemente dos mestrados e dos doutorados stricto sensu, esses cursos têm carga horária menor e critérios de seleção e aprovação mais flexíveis. Eles também não passam por nenhuma avaliação de qualidade realizada pelo MEC. IBGE x Capes Essa constatação de Schwartzman pode ser confirmada comparando as estatísticas de matrículas do IBGE com as feitas pela Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior). Para o mesmo ano de 2004, o IBGE indicava que havia 304 mil alunos no setor em todo o país. Para a Capes, no entanto, eram apenas 111 mil. Essa diferença de quase 200 mil alunos acontece porque a Capes só contabiliza os estudantes de mestrado e doutorado stricto sensu, ou seja, mestrados e doutorados autorizados e avaliados pelo MEC. No caso do IBGE, como a pergunta é feita em cada domicílio visitado, não há essa restrição e acabam entrando também cursos de especialização e os MBAs. É por essa razão que o domínio do setor privado na pós-graduação só aparece nas estatísticas do IBGE. Pelos dados mais atuais da Capes, para 2005, a participação privada nos cursos stricto sensu era de apenas 17%. O setor privado, no entanto, também cresce mais do que o público nesses cursos, mas num ritmo muito menor do que verificado no IBGE. Em 2001, a participação privada era de 15,6%. Uma das explicações para a preferência do setor privado pelos cursos lato sensu é bastante simples: para abrir um mestrado ou um doutorado stricto sensu, o curso precisa ser aprovado pela Capes e passará por avaliação freqüente que, em caso de má qualidade, pode levar ao fechamento. As regras são, portanto, muito mais rígidas. No caso dos cursos de pós-graduação lato sensu, as instituições têm mais liberdade para abrir e fechar cursos - basta ter credenciamento do MEC para isso - e não há nenhum tipo de acompanhamento da qualidade ou avaliação oficial deles. Além disso, como os mestrados e doutorados costumam ser bastante voltados para a carreira acadêmica, os MBAs e os cursos de especialização atendem a uma demanda crescente de profissionais que pretendem se aperfeiçoar para continuar ou reingressar no mercado de trabalho. Elitismo Schwartzman também analisou o estudante que chega à pós-graduação. Os resultados mostram um perfil altamente elitista, já que 85% dos matriculados pertencem aos 20% de brasileiros de maior renda familiar per capita. A proporção dos brasileiros que pertencem aos 40% mais pobres e fazem alguma pós é de apenas 1,8%. Esse perfil não varia muito de acordo com a rede onde o aluno está matriculado. No setor privado, a proporção dos 20% mais ricos no total de estudantes é de 87%. Na rede pública, é de 83%. "A expansão da pós-graduação está criando um novo segmento de elite no ensino superior, tanto na rede pública como na particular. Essa tendência de elitização parece ser muito mais forte do que a de abertura para a população de mais baixa renda", analisa Schwartzman.
Proliferação de MBAs, que incluem também opções como moda, luxo ou gestão de ONG, chega a confundir os alunos É preciso que o estudante desconfie dos processos seletivos fáceis, recomenda entidade do setor, que vê "banalização" de cursos A proliferação de MBAs e outros cursos de especialização divide opiniões e causa confusão em estudantes. Há, por exemplo, MBAs em moda, luxo ou gestão de ONGs. Os cursos de especialização abrangem um leque ainda mais diversificado. A Fundação Educacional Muzambinho (MG) oferece pós-graduação em musculação e "personal training". A Universidade Veiga de Almeida, no Rio, tem pós em Carnaval. Na Universidade Norte do Paraná, há pós-graduação em futebol de salão. Para Luca Borroni-Biancastelli, secretário-executivo da Anamba (Associação Nacional de MBA), cabe ao aluno separar o joio do trigo. Ele explica que a associação surgiu para estabelecer padrões mínimos de qualidade e entender o que pode ser definido como MBA. "A marca passou por um processo de banalização. Se não for uma escola de gestão que ensine finanças e administração de recursos humanos, não faz sentido chamar de MBA", diz. Para Borroni-Biancastelli, um MBA ruim pode atrapalhar em vez de ajudar na disputa por um emprego. "Empresas sofisticadas não aceitam candidatos com um MBA ruim no currículo porque percebem que ele escolheu um curso de quinta categoria e não se deu conta." Uma das dicas que ele dá para o estudante é desconfiar de MBAs em que o processo de seleção seja muito fácil. "Uma boa seleção dos candidatos é um sintoma de qualidade da escola", afirma. Gestão de negócios A diretora de pós-graduação e pesquisas do Centro Universitário Senac, em São Paulo, Flávia Feitosa, concorda que o título de MBA passou por um processo de abuso nos últimos dez anos, mas defende o MBA em moda da instituição e a especialização em gastronomia. "O mercado da moda é um dos maiores do mundo. Não é um curso sobre questões fúteis", disse. "Tem foco na gestão de negócios; por isso chamamos de MBA." Sobre a pós em gastronomia, ela argumenta que é um curso que atende a uma demanda crescente pela sofisticação dos serviços de gastronomia na cidade de São Paulo. Em meio a tantas opções, o publicitário Alexandre Martini Costa, 30, diz que é comum as pessoas ficarem confusas. "É uma mistura muito grande. Eu fiz um MBA em marketing e tive carga horária de 650 horas. É maior do que muito mestrado", compara. Ele afirma que não se arrependeu de sua escolha e que aplica o que aprendeu em sua agência de publicidade. "Valeu muito a pena. Eu aprendi coisas novas e fiquei atualizado com o que está acontecendo no mercado", completa.
A exemplo do que já faz com os cursos de graduação e de pós-graduação stricto sensu, o Ministério da Educação estuda avaliar também os de MBA. Atualmente, esses cursos e os de especialização são os únicos em nível superior que não passam por sua avaliação. Segundo o presidente da Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior), Jorge Guimarães, a tendência é a de que esse acompanhamento seja voluntário. "Esses cursos terão de passar por avaliação, mas isso não tem de ser compulsório." Outra estratégia do MEC é oferecer a oportunidade de a instituição ter seu curso reconhecido e avaliado pela Capes como um mestrado profissional. Diferentemente dos mestrados tradicionais, mais voltados para a carreira acadêmica, esses têm foco no mercado. Hoje, apenas 5% dos mestrandos estão em cursos profissionais avaliados pela Capes. A meta do ministério é chegar a 25%. "Esses cursos tiveram crescimento de 147% de 2001 para 2005, principalmente pela via privada. As instituições têm hoje demanda por mestrados profissionais", diz Guimarães. Uma das vantagens de fazer um mestrado profissional reconhecido em vez de um MBA sem reconhecimento é que o aluno pode fazer doutorado. Mais mestrandos Guimarães diz que o governo não tem nenhum preconceito em relação à expansão da rede privada. Ele argumenta que nos cursos stricto sensu -já avaliados pela Capes- tem aumentado o número de alunos em instituições privadas credenciadas e avaliadas pela instituição. "De 2001 para 2005, só em cursos de mestrado, houve crescimento de 27,4% nas matrículas em instituições públicas e de 41% no setor privado."
Artigo de Marcelo Gleiser Teoria da origem da matéria não explica por que Universo é plano De onde surgiu a matéria que compõe tudo o que existe? Essa pergunta, bem mais antiga do que a ciência, encontrou uma resposta no modelo cosmológico conhecido como Big Bang. Segundo ele, o Universo surgiu há aproximadamente 14 bilhões de anos, a partir de uma região menor do que uma moeda de um centavo onde a matéria estava comprimida a pressões e temperaturas absurdamente altas. De repente, devido a uma instabilidade não muito bem definida, essa matéria começou a se expandir como um balão de festa. À medida que isso ocorria, a temperatura foi baixando. A matéria original passou por uma série de transformações, ficando cada vez mais complexa, até que surgiram os primeiros átomos em torno de 400 mil anos após o "bang" inicial. Essa é, de forma resumida, a história contada pelo modelo original, proposto no final da década de 1940 por George Gamow, Ralph Alpher e Robert Hermann. O trio de cientistas supôs que inicialmente a matéria fosse composta pelos integrantes dos átomos, prótons, nêutrons e elétrons e mais os fótons, as partículas da radiação eletromagnética. abiamente, não se preocuparam com a questão da origem dessas partículas. Contentaram-se em descrever a evolução cósmica a partir do momento em que elas já estavam presentes. Hoje, sabemos que isso se deu aproximadamente um centésimo de milésimo de segundo após o "bang". O modelo, refinado desde os anos 1960, teve vários triunfos. Dentre eles, a previsão da existência da radiação cósmica de fundo, uma relíquia da época em que surgiram os primeiros átomos, descoberta em 1965. Entretanto, o modelo tem várias limitações. Uma delas é conhecida como o "problema da curvatura": a geometria cósmica tem de ser plana, a versão tridimensional da superfície de uma mesa. Einstein mostrou em sua teoria da relatividade que a matéria encurva a geometria do espaço, tal qual encurvamos uma almofada ao sentarmos nela. No caso do Universo, existem três possibilidades, dependendo do balanço entre a quantidade de matéria no Universo e a força da expansão: se a matéria é muita, sua gravidade acaba provocando o colapso do Universo após alguns instantes. Se a matéria é pouca, o Universo se expande tão rapidamente que galáxias e estrelas não podem ser formadas. Sobra a possibilidade intermediária, um Universo no qual a expansão e a contração se mantém em equilíbrio. Esse Universo, que é o nosso, tem geometria plana. A questão é por quê. O modelo original não responde a essa pergunta, limitando-se a usar a geometria plana de antemão. Em 1981, o físico americano Alan Guth propôs uma solução para o problema conhecida como universo inflacionário. egundo ele, logo após sua origem, o cosmo passou por um período de expansão ultra rápida, mais rápida do que a velocidade da luz. Essa expansão resulta num cosmo plano. Basta pensarmos na superfície de um balão. Se focarmos numa região pequena, ela ficará cada vez mais plana com o crescimento do balão. Mas como isso ocorreu? Guth sugeriu que, no começo, o cosmo tinha um tipo diferente de matéria, com a propriedade de criar uma expansão rápida da geometria, como uma espécie de anti-gravidade. Esse tipo de matéria exótica provavelmente existe. Após um curto período, a matéria se desintegra de maneira explosiva, enchendo o cosmo de partículas e radiação. Essa desintegração, segundo Guth, é o que chamamos de Big Bang. Portanto, o Big Bang não é o início, mas conseqüência de um processo anterior. O desafio agora é entender de onde veio essa matéria exótica. Felizmente, idéias não faltam. Marcelo Gleiser é professor de física teórica do Dartmouth College, em Hanover (EUA), e autor do livro "O Fim da Terra e do Céu".
Nos últimos cinco anos, desde a publicação dos primeiros rascunhos de seqüenciamento do genoma humano, cientistas se surpreenderam ao descobrir que o número de genes no DNA do homem é o mesmo de um rato: cerca de 25 mil. Ficou claro que o que faz do Homo sapiens a espécie mais evoluída do planeta não é apenas o tamanho do seu genoma ou o número de genes, mas a maneira como esses genes funcionam e interagem entre si. Um conceito que, agora, começa a tomar forma também no cérebro humano. De acordo com um estudo publicado por pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), o benefício de ter um cérebro maior - uma das grandes vantagens evolutivas do ser humano em relação a outros primatas - não está apenas na quantidade de massa cinzenta ou no número de neurônios. Pode estar, sim, relacionado à maneira como esses neurônios estão distribuídos no cérebro e como eles interagem entre si para formar uma rede neuronal de altíssima complexidade. A pesquisa comparou a quantidade e distribuição dos neurônios no cérebro de seis espécies de roedores: camundongo, hamster, rato, porquinho-da-índia, cutia e capivara - em escala crescente de tamanho. Os resultados mostraram que há, de fato, um aumento no número de neurônios conforme o tamanho do cérebro. Surpreendentemente, porém, a maior parte desses neurônios adicionais está concentrada no cerebelo (uma estrutura freqüentemente ignorada nos estudos cerebrais) e não espalhada pelo córtex (a camada superior do cérebro), como seria de se esperar. Local errado "É uma indicação de que, talvez, estejamos olhando para o lugar errado, sobreestimando a importância do córtex por causa de seu volume", diz a pesquisadora Suzana Herculano-Houzel, autora principal do estudo. "Se o que importa é o número de neurônios, o que mais se destaca no cérebro é o cerebelo." Enquanto a proporção de neurônios no córtex permaneceu constante para as seis espécies (18%, em média, independentemente do tamanho do cérebro), a parcela de neurônios localizados no cerebelo em relação ao total do cérebro aumentou de 59%, no camundongo, para 75%, na capivara. "O que cresce em poder computacional é o cerebelo", diz o neurocientista Roberto Lent, que também assina o trabalho na revista PNAS. "Isso é uma surpresa completa, pois a superioridade do córtex na ciência é praticamente absoluta." Até recentemente, segundo ele, o cerebelo era visto apenas como um órgão de controle motor - um erro que ele mesmo cometeu em seu livro, "Cem Bilhões de Neurônios", publicado em 2002. "Temos de reavaliar nossos conceitos", afirma Lent. Para Suzana, a concentração de neurônios no cerebelo sugere que ele tem uma participação muito maior no processamento de informações e no planejamento cerebral. Além dos aspectos anatômicos, o estudo poderá dar pistas sobre o desenvolvimento do cérebro e sua relação com características cognitivas e doenças neurodegenerativas. Afinal, será que ter mais neurônios proporciona maior inteligência? Segundo Lent, essa relação não está provada. Como no caso do genoma, o resultado não depende só do número de neurônios, mas da capacidade de articulação entre eles para formar novas sinapses e assumir diferentes funções. "A capivara tem o cérebro maior que o de um camundongo, mas será que um é mais inteligente do que o outro?", diz Lent.
Objetivo é dar mais respeitabilidade a esse tipo de graduação de curta duração Alunos matriculados nesta modalidade representam somente 3,7% do total de estudantes no ensino de nível superior brasileiro Os cursos tecnológicos - de nível superior, mas com curta duração- agora também serão avaliados pelo Ministério da Educação por meio do Enade (exame que substituiu o Provão). Isso passará a ser possível a partir do anúncio que o MEC fará nesta segunda, quando será divulgado um catálogo de denominações desses cursos. A avaliação é mais uma tentativa do governo de fazer deslanchar uma modalidade de curso que ainda é vista com muita desconfiança por boa parte dos alunos e dos empregadores: os cursos de curta duração voltados para uma área de formação específica e com a finalidade de garantir inserção rápida no mercado de trabalho. Segundo o ministério, o catálogo permitirá que mais de 1.300 denominações diferentes sejam convergidas, inicialmente, para 95. Em muitos casos, são cursos com nomes distintos, mas que preparam o mesmo perfil de profissional. Os cursos tecnológicos passaram por um rápido crescimento, especialmente pela via privada, de 1998 a 2004. Nesse período, o número de matrículas aumentou 170%. Em 1998, eram 56.822 estudantes. Em 2004, passaram a ser 153.307. Esse total representa somente 3,7% do total de estudantes no ensino superior brasileiro. "Nos Estados Unidos, o percentual de cursos de curta duração ultrapassa 40% do total do ensino superior. O mesmo acontece em vários países europeus. O país precisa de tecnólogos. Em áreas como turismo, agronomia ou informática, por exemplo, há carência de pessoal qualificado, mas, em virtude de o diploma nesses cursos nem sempre ter respeitabilidade pública, as empresas acabam preferindo contratar um profissional que tenha feito um curso tradicional", afirma o ministro Fernando Haddad. A falta de receptividade do mercado a esse tipo de curso é clara quando se compara o percentual de vagas preenchidas nos últimos anos. Em 1998, era de 79%. Em 2004, caiu para 47% porque a oferta de vagas cresceu num ritmo maior do que a procura. Um exemplo disso ocorreu nesta semana, quando a PUC-SP cancelou sete dos seus dez novos cursos tecnológicos por falta de candidatos. Havia 1.050 vagas, mas apenas 295 foram preenchidas. Especialistas divergem em relação à eficácia das novas medidas, mas concordam que há, no Brasil, uma cultura do bacharelado, que valoriza apenas o diploma de cursos tradicionais de graduação. Para o consultor Carlos Monteiro, o controle da qualidade é necessário, mas depende de como será feito. "A idéia do MEC pode ser muito boa, mas há o risco de pasteurizar e inibir uma das principais características desses cursos, que é a capacidade de inovação." Na avaliação de Maria Tereza Franzin, diretora de graduação do Centro Universitário Senac, a avaliação era necessária: "Há um grande desconhecimento por parte dos alunos e das empresas sobre o que significa essa modalidade de curso."
Réptil alado do Nordeste seria indistingüível de bicho descrito anos antes dele Pesquisa também sugere que crista dos animais tinha mesma função da cauda dos pavões; paleontólogos do Brasil contestam conclusões Uma das descobertas mais celebradas da paleontologia brasileira nos últimos anos pode não passar de um equívoco, argumenta uma dupla de pesquisadores britânicos. David Martill e Darren Naish, da Universidade de Portsmouth, reexaminaram o Thalassodromeus sethi, um pterossauro (réptil voador) de crista espetacular que foi descrito cientificamente em 2002, e dizem ter concluído que ele é indistinguível de uma espécie já conhecida, o Tupuxuara longicristatus. "Não encontramos qualquer característica que diferencie os dois com segurança", declarou Naish à Folha. "O T. sethi tem uma crista mais exagerada, mas se trata de um espécime presumivelmente mais velho que os já descritos como T. longicristatus. As supostas características distintivas, portanto, provavelmente têm a ver com sua idade avançada." A dupla do Reino Unido, ao examinar um exemplar "adolescente" de Tupuxuara, verificou que sua crista está apenas parcialmente crescida, sem se fundir com o resto do crânio. Isso sugere, de acordo com os pesquisadores, que o penacho era um sinal de maturidade sexual, como a cauda dos pavões. As inferências dos britânicos, porém, não deverão passar sem contestação. Os brasileiros que descreveram as espécies, Alexander Kellner, do Museu Nacional da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), e Diógenes Campos, do DNPM (Departamento Nacional de Produção Mineral), dizem-se seguros das análises originais. Menino de asas Ambos os bichos fósseis têm como berço a chapada do Araripe, o maior celeiro paleontológico do Nordeste e do Brasil. epositado num museu da Alemanha e originário do Araripe. "As suturas entre alguns dos ossos não estão completamente fundidas. Boa parte do crânio do Tupuxuara se funde nos períodos posteriores de sua vida", explica Martill. Em bichos que ainda estão crescendo, as cartilagens presentes nessas suturas permitem que o osso se expanda e alcance o tamanho que tem nos adultos. Além de verificar as similaridades desse fóssil com o que deu nome ao Tupuxuara, a dupla montou o que seria a trajetória de desenvolvimento da crista e do crânio. Eles afirmam que a seqüência acomoda bem o Thalassodromeus -tão bem que seria demais classificá-lo como membro de outra espécie. "Curioso é o fato de um dos autores visitar constantemente o Brasil e não examinar as coleções onde o material relevante para a pesquisa está depositado", criticou Alexander Kellner, referindo-se aos freqüentes trabalhos de campo de Martill no Brasil e ao fato de ele não ter ido ao Museu Nacional para ver os fósseis originais. Kellner também aponta que o pterossauro adolescente não foi preparado, ou seja, extraído de seu casulo de rocha, o que, segundo ele, pode prejudicar a análise. "Dessa forma, considero o trabalho deles bastante superficial. Mantemos nossa descrição anterior, feita com bastante cuidado e zelo." Diógenes Campos, por sua vez, disse ter dúvidas sobre o papel puramente sinalizador da crista dos bichos. É que o fóssil do T. sethi, bem preservado, mostra uma profusão de vasos sangüíneos, o que os levou a propor que o bicho usava o penacho para dispersar calor durante o vôo. Sem isso, o bicho superaqueceria ao voar.
Para manter direito a pesquisa, país fabricará peças mais simples do que pretendia, cortando gastos para US$ 10 milhões Investimento original de agência brasileira era de US$ 120 milhões; possibilidade de enviar outro astronauta ainda não está descartada A AEB (Agência Espacial Brasileira) afirmou ontem ter recebido sinal verde da Nasa para reduzir as atribuições do Brasil no programa da ISS (Estação Espacial Internacional) de US$ 120 milhões, definidos no acordo de cooperação inicial, para no máximo US$ 10 milhões, o que garante ao país a possibilidade de permanecer como parceiro do projeto. A decisão foi tomada ontem em uma teleconferência entre membros da Nasa e da AEB. Há cerca de seis anos, o Brasil comprometeu-se em fornecer US$ 120 milhões em peças e equipamentos para a ISS. Em contrapartida os brasileiros seriam sócios no programa da estação, poderiam fazer experimentos na ISS e treinariam um astronauta para voar em um ônibus espacial. Mas logo ficou claro que o Brasil não teria condições de cumprir com sua parte do acordo. O prazo de entrega dos equipamentos brasileiros já havia expirado, mas o que manteve o país no programa foi o acidente com o ônibus espacial Columbia, que matou sete astronautas em 2003 e colocou as naves da Nasa "na garagem" até que se ampliasse sua segurança. De acordo com Sérgio Gaudenzi, presidente da AEB, os projetos ligados à ISS caminhavam a passos lentos até o êxito da viagem do ônibus espacial Discovery, que retornou à Terra neste mês. Segundo ele, mesmo que os equipamentos tivessem sido entregues na data prevista, não teriam sido utilizados em nenhuma missão. "Reduzimos substancialmente nossa participação no projeto, mas eles [da Nasa] já entenderam", afirma Gaudenzi. "Nós continuamos com a possibilidade de fazer experimentos de microgravidade na ISS, continuamos como sócios e, quem sabe, podemos até mandar mais um astronauta para o espaço." A atribuição brasileira na fabricação das peças agora vai diminuir em complexidade, mas aumentar em quantidade, pois as peças são mais baratas. "Quando saiu a primeira lista de peças, logo depois foi visto que era impossível fazê-las no Brasil. Teríamos que importar boa parte dos componentes eletrônicos", conta Raimundo Mussi, assessor técnico-científico da AEB. O Brasil vai fornecer suportes em alumínio para os mesmos equipamentos eletrônicos que produziria antes. Para Mussi, a participação é boa para a indústria brasileira. "A vantagem de fazermos as peças no Brasil é que isso qualifica a indústria para produção de material para embarque em vôos tripulados", diz. "Podemos entrar em licitações da Nasa e outras agências no futuro." Base de Alcântara Ao mesmo tempo em que a AEB garante a participação brasileira na Estação Espacial Internacaional, enfrenta, dentro do Brasil, a suspensão cautelar da licitação referente à execução do plano diretor do Centro de Lançamento de Alcântara (MA). Uma auditoria do TCU (Tribunal de Contas da União) divulgada ontem apontou que há um sobrepreço de R$ 122 milhões nas contas apresentadas pela AEB. Além disso, o relatório apresentado não é claro quanto à exigência de licenças ambientais. "O que fizemos foi lançar a licitação antes de ter as licenças ambientais do Ibama e temos certeza que serão aprovadas", disse Gaudenzi. "Aumentamos o tempo de execução do projeto de três para cinco anos. Isso aumenta os custos fixos, como com laboratórios, por exemplo. Essa é a única diferença", justifica ele.
Pequenas alterações genéticas observadas em pessoas portadoras do vírus HIV, causador da Aids, sugerem que os seres humanos podem um dia desenvolver resistência a ele, a exemplo do que ocorreu com alguns animais, segundo mostra um novo estudo divulgado na revista americana Science. Entre a população infectada pelo HIV, os indivíduos podem passar por um processo rápido ou lento até desenvolver a Aids, informou o estudo. Os autores identificaram pelo menos 10 genes e 14 alelos - ou formas diferentes do mesmo gene - que influenciam na progressão da doença. A evolução da resistência ao HIV por parte dos seres humanos provavelmente levará milhares de anos, disse o co-autor do estudo, Robin A. Weiss. O monitoramento dessas alterações, no entanto, pode sugerir maneiras para prevenir a doença.
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